Thursday, 27 November 2014

Details....mémoires...

E quando deixarmos de ter objetivos na Vida?

Este era um dos pensamentos que me ocorriam por vezes. Hoje em dia sou grata pois, temos tanta coisa para explorar, mesmo que alguma coisa nos queira travar há sempre outras para começar!
Isto sim, motiva-me. Estou sempre salva! Creio que mesmo que estivesse inválida ou com alguma limitação física teria sempre uma teia de interesses para me ocupar.
Tanta coisa para pesquisar, investigar, analisar…!
Não pretendo entrar em triviais e "batidos" discursos motivacionais mas é uma constatação. 
Ora reparem e acompanham-me nesta viagem de significados:
Diariamente, e sempre que posso, enceto uma caminhada matinal num itinerário que começa à porta de minha casa, passa por um eucaliptal e retorna ao ponto de partida.
Quando saio de casa e atravesso uma estrada, do meu lado direito observo que a vegetação amarela e seca deixada pelo Verão deu lugar a uma paisagem de denso verde, plantas, ervas e afins que crescem sem parar. A chuva destes dias deixa correr alguns carreiros de água que escorrem das “encostas” junto à estrada, e sempre que passo por eles ouvindo aquele som de água corrente consigo abstrair-me dos carros e camiões que deixam o seu rasto cinza…
Alguns metros à frente, depois de dar os bons dias às(aos) funcionárias(os) da padaria onde tomo o meu café matinal, dobro a rua e subo uma pequena estrada. Nesta estrada onde, ainda se podem encontrar algumas oficinas tradicionais de automóveis e outros negócios familiares, passo por um jardim-de-infância. No parque deste jardim-de-infância, uma menina com ar sereno que se encontra junto à vedação que separa o parque da rua, fixa os seus olhos em mim. Esboço um sorriso e dou-lhe os bons dias ao que ela retribui com uma expressão de “estou-bem-com-a-vida”. Num outro canto observo uma pequena que, de olhar triste, se isolou e depois de levar os olhos para alguma situação que não a agradou, fechou os olhos em modo amuado esperando que algum colega fosse acarinha-la. Em escassos segundos pude observar que duas crianças da mesma idade manifestaram comportamentos e atitudes diferentes e que, por isso, se poderá ter uma ideia de que todos temos os nossos dias mas a nossa atitude perante a vida é ditada desde pequenos.
Voltando ao caminho, subo mais um pouco e chego ao “meu” Eucaliptal, à “minha” mata d’Avalon. Constato que há vida everywhere. Há dias um caracol pousava, majestosamente, num galho de um arbusto. Um atrevido! Pois com o tempo que entretanto refrescou, este colocou-se a si próprio num desafio.



  
Mais adiante, uns cogumelos deram vida a um recanto entre duas árvores:






Também o azevinho, típico arbusto/árvore português(a), deu o ar de sua graça cheio de bolotas a denunciar que entrámos na época natalícia.


 Ao me aproximar do alto, as ruínas de um velho moinho - onde todos os verões passo algumas horas a meditar, a ler, a olhar .... - mostram-me que o CAMINHO é o Céu, a expansão da CONSCIÊNCIA.


Couves e gatos convivem de perto com os transeuntes. Que maravilha! Pergunto-me se as próximas gerações terão o usufruto destes privilégios sem que para isso tenha que empreender alguma viagem intergaláctica para desfrutar das suas férias de verão em lugares paradisíacos?






Deixando o caminho por alguns momentos, outra situação a explorar e sobre a qual me poderia deter (isto à conclusão de termos, na vida, tantas coisas engraçadas sobre as quais refletir):

Tenho um gato, jovem adulto e a convivência diária com ele fez-me começar a despertar para a compreensão dos seus comportamentos. É curioso como, no seio do meu agregado familiar, este gato desenvolveu uma relação no mínimo curiosa, comigo. Bem sei que, sendo eu a figura que o alimenta e cuida, torna-se natural que o Pepe me veja como a sua progenitora e me procure com frequência mas a nossa relação num momento é de carinho e doçura mútuos, no momento a seguir ele apanha-me desprevenida, coloca as suas orelhas para trás, levanta as narinas e começa a adotar uma postura de dominância para, em seguida, me cravar com os seus dentes e unhas! A ira, por momentos invade-me e dou-lhe um grito (ainda não consegui controlar este ímpeto) e desato atrás dele como se o espírito de uma criança possuída descesse em mim J.

Ainda não consegui encontrar uma explicação para este comportamento (o dele, claro!) pois convivo com outros gatos no seio da minha família e nunca me foi relatado nada deste género. Bom, por outro lado encontrei o criador deste genial gato, SIMON the cat (http://www.simonscat.com/About/). Convido-vos a dar por lá um salto e se têm gatos, por certo, irão reconhecer muitos dos comportamentos aqui patentes.
Um vídeo engraçado: 



[Voltando ao caminho, de cada vez que o faço cruzo-me sempre com novos elementos, novas ideias]

Quando piso o carreiro de folhas, relva e terra nesta "minha" mata d’Avalon sou, automaticamente, transportada para o período da minha infância. No colégio que frequentava pelos meus 7 anos, todas as tardes, depois da sala de estudo nos era concedido algum tempo para brincar naquele imenso manto verde e castanho que ia do Instituto Sup. Técnico até à Fonte Luminosa. A meio desse extenso relvado, no Outono, havia imensas folhas de plátano, amarelas e vermelhas, que me entretinha a pisar e a brincar. O carreiro de terra e folhas fazia-me imaginar cenários, espicaçava a minha criatividade e a vontade de encenar histórias. Aquilo que todas as crianças deviam ser estimuladas a fazer.






Termino deixando-vos alguns registos da "minha" mata d’Avalon, beyond de mirror [ ].




Um genuíno abraço na Alma e um beijo na face!

Uma música para o caminho: 

Teresa Ribeiro

Friday, 14 November 2014

Pessoas que inspiram...

Quando defino alguns objetivos para a minha Vida deparo-me com inúmeros obstáculos que me colocam na minha zona de desconforto mas quando me detenho em histórias de Vida de Pessoas que superaram obstáculos que fariam qualquer um desistir, AÍ MOTIVO-ME!

Ora vejam (leiam):

I. Quem foi, quem foi?


  • Filho de pais iletrados, orfão de mãe, criado pela madrasta;
  • Durante a infância teve pouco acesso à educação;
  • Faliu um negócio com 31 anos de idade;
  • Foi derrotado numa eleição legislativa aos 32 anos;
  • Faliu novamente aos 34 anos de idade;
  • A esposa faleceu quando ele tinha 35 anos;
  • Teve um colapso nervoso aos 36 anos;
  • Perdeu eleições aos 38, 43, 46 e 48 anos;
  • Foi eleito em 1860 presidente dos EUA.

Sim, foi Abraham Lincoln.

Para alguém que se cruzou com tantos obstáculos e insucessos - o que o manteve fiel e concentrado nos seus objetivos foi a capacidade de acreditar em si mesmo.

Teve feitos extraordinários:

  • Eleito o 16º presidente dos EUA
  • Aboliu a escravidão
  • Foi reeleito presidente em 1864;
  • Foi um homem que sempre acreditou em si e nos seus valores.



II. Quem foi, quem foi?

  • Abandonado pelos pais biológicos à nascença;
  • Não seguiu um curso superior
  • Relações afetivas falhadas
Steve Jobs!

Teve feitos extraordinários:

Consegui utilizar o seu talento em prol da humanidade, em termos das tecnologias.
Tornou-se um  empresário e magnata americano no setor da informática. Notabilizou-se como co-fundador, presidente e diretor executivo da Apple Inc



III. Quem foi, quem foi?

  • Começou a escrever aos 7 anos de idade;
  • Fez teatro;
  • Foi internado pelos pais pois não seguiu a carreira de engenharia que os seus pais ambicionavam.

Falamos de Paulo Coelho.

Teve feitos extraordinários:


Tornou-se um genial escritor e jornalista e já foi autor de inúmeros best sellers em literatura com impacto e que revolucionaram o mundo.

Obras como: 
O Alquimista
O Diário de um Mago
Onze Minutos
Brida
As Valkírias
Veronika Decide Morrer
O Aleph



Se tivermos os nossos modelos inspiradores, por certo que ganharemos motivação para concretizar os nossos objetivos e mostrar a outros que, também eles, são capazes!






Um forte abraço e paletes de inspiração**

Fontes (de inspiração):
Coaching: estratégias certeiras para o sucesso profissional e pessoal - Teodoro Malta CamposDescobre O Teu Talento - Mário Caetano, inspiração em ação

Tuesday, 28 October 2014

....Hipoteticamente....

Estimados amigos,

Se hipoteticamente me questionassem:

"Se pudesses SER, FAZER e TER tudo o que quisesses, o que escolherias?"

Hipoteticamente respondia:

SER:
- uma Mãe inspiradora
- gestora de projetos sociais  e espirituais (se assim se puder chamar)
- bióloga marinha
- líder de equipas, líder democrática
- mestre de Reiki
- fiel a mim mesma
- segura
- leal
- honesta
- assertiva
- pragmática
- professora
- educadora
- organizada
- competente a descascar batatas
- frontal
- equilibrada e serena
-escoteira
.............work in progress.....................

FAZER
- expedição ao Ártico
- yoga
- conhecer diferentes culturas
- integrar um projeto social  de ajuda humanitária
- mergulho com mamíferos marinhos
- criar e gerir uma instituição de formação e terapias complementares
- saldar todos os meus investimentos
- desporto aquático
- um curso de inglês avançado

TER
-saúde
-um refúgio entre o campo e o mar @Sintra
- auto-caravana
- inteligência emocional e capacidade de gestão
- filhos
- fonte de rendimento justa até ao final da Vda
- água potável, sempre!
- alimentos frescos
- família e amigos por perto
- emprego nas áreas que amo
- ordenado mensal média de 2500 €
- oxigénio
- espaço físico onde praticar e aplicar Reiki a outros
- dinheiro para fazer formação ao longo da Vida
- um carro funcional, económico, ecológico e eficiente
- uma bicicleta motorizada
- um espaço biblioteca dentro de casa
- piscina e jardim Zen
- um 2º apartamento no centro de Lisboa
- sessões de massagem terapêutica gratuitas até aos 100 anos
- motivação e boa disposição, sempre!

Se me pedissem, hipoteticamente, para listar os meus principais Valores, hipoteticamente respondia:

Família - são o meu pilar, o meu porto seguro, a minha fonte de equilíbrio;

Coragem - Aquilo que preciso de cada vez que dou um salto para a zona de desconforto

Trabalho - Aquilo que me move, inspira e impulsiona a empreender.


«Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.»
 Confúcio

Reflitamos sobre as nossas inquietações e sobre aquilo que nos move pois, hipoteticamente ou não, um dia o improvável poderá acontecer **


That's all Folks!

Teresa

Sunday, 12 October 2014

Caros amigos,

Neste dia ameno e cinza esverdeado de outubro, vos digo que a chuva me é prazerosa, me abraça os cabelos e tece a frescura das minhas emoções.
Pois bem, perante a pergunta:

"Imagina que afinal vives até aos 100 anos de idade e que estás na tua festa de aniversário com dezenas de amigos, familiares, colegas à tua volta. Escreve agora um discurso que farias no teu centésimo aniversário a todos os que te são mais queridos...."

O meu discurso seria:

Meus amigos, minha família, meus colegas, neste meu centenário vos digo que a nossa colheita depende das sementes que vamos lançando no solo, depende da forma como as cuidamos e regamos um dia e outro dia e outro dia...
Sinto-me agricultora da Vida, neste caso, da minha Vida.
Em criança vivi cada momento com a intensidade possível, e ainda hoje me recordo do som dos barcos "uivando" no porto de Lisboa. Da varanda comprida da casa avistava o Tejo, apenas separado pela visão dos guindastes Gottwald e dos contentores coloridos que mais me lembravam uns Legos gigantes, cuidadosamente, amontoados.

Em adulta fui regando com a água da felicidade, cada talhão (área) da minha Vida acariciando e dando especial atenção a cada broto novo que resultava do meu trabalho de Relação com o outro.

Todos vocês representam um broto da minha colheita, e que refinada colheita

Um carinhoso abraço em cada um de vós.

Obrigada por regarem a minha felicidade estando hoje, aqui presentes, neste momento de genuína alegria.

Alegria....a mesma alegria a que Clóvis de Barros Filho se refere quando diz que Alegria «é quando ganhamos potência para agir» ou, «passagem para um estado mais potente do próprio ser», de B. Espinoza.

Sejam humildes e desfrutem das gotas de inteligência emocional que vos resta encarando-as como adubo para a vossa Existência.

Vossa Teresa





Monday, 25 August 2014

Fisioterapia - e todo um mundo novo se abre...

Olá a todos!

Há algum tempo que não atualizava as minhas crónicas, contudo, resolvi aguardar antes de um novo post, afinal os acontecimentos de relevo não escolhem datas.
Pois bem, após 2 meses e meio de fisioterapia posso dizer-vos que estou quase nova! Terminei, este mês, uma leva de sessões com uma frequência de 3 sessões por semana. Graças ao profissionalismo e serenidade da "minha" fisioterapeuta M.P., do Hospital S. Francisco Xavier que em pouco tempo me devolveu a capacidade de locomoção! :).

(Segue uma fotografia no meu último dia de fisioterapia com esta profissional de excelência ;) )

Além dos exercícios mecânicos que me ajudaram a recuperar da lesão da articulação tibio-társica, ainda fiz uma terapia que desconhecia cuja informação partilho - Magnetoterapia.

"A Magnetoterapia é uma técnica, cada vez mais utilizada em hospitais e clínicas de reabilitação física, que se tem revelado muito eficaz no alívio da dor, no aceleramento dos processos de cura de fracturas e lesões e na defesa do organismo frente a inúmeras patologias." In Sapo Saúde.

De acordo com Carlos Evangelista, ortopedista no Hospital Ortopédico de Sant’ Ana e responsável pela unidade de Ortopedia da CínicaCuf Cascais:

"a Magnetoterapia é eficaz por causa das frequências de baixa intensidade que usa, que criam campos magnéticosque interferem com estruturas celulares, exponenciando a recuperação das condições fisiológicas do equilíbrio». O seu espectro de aplicação é bastante vasto mas são de destacar as suas vantagens, particularmente, no campo da Ortopedia e Traumatologia, Medicina Desportiva, Reumatologia e Medicina Geral."
Posso garantir-vos que me aliviou bastante o desconforto de ter dentro de mim uma  placa de titânio e 7 parafusos. A minha circulação cardiovascular não prima pelo bom funcionamento e este aparelho que veem abaixo foi o meu fiel amigo no final de cada sessão de Fisio.

Aproveito também para partilhar que ao longo deste tempo tenho refletido muito sobre o meu propósito de Vida e tenho tido tempo para expandir (em muito) a minha consciência. Esta reflexão tem resultado num conjunto de ações e atitudes que procuro, diáriamente, mudar para melhor.
Não digo com isto que vos desejo a fratura de um pé mas foi a melhor forma de fazer uma análise intro e retrospetiva de todo o meu percurso até hoje.

Como diz Daniel Sá Nogueira (Líder Nacional em Desenvolvimento Pessoal e fundador da empresa WeCreate), ABANDONEMOS A PSICOLOGIA DO PROBLEMA E ABRACEMOS A PSICOLOGIA DA SOLUÇÃO! Esta visão faz-me todo o sentido, aqui e agora.

Percorro o meu caminho, encontro novas pessoas e abandono velhos hábitos.

Aproveitei, também, para ler mais um livro que recomendo, "A Roda da Vida", da autora Elisabeth Kubler-Ross, uma psiquiatra suiça, trigémea nascida em 1926 que mostrou ao mundo e à comunidade médica uma nova forma de se olhar os doentes terminais.

Conforme John Biewen do American Radioworks reports:

"Psychiatrist Elisabeth Kubler-Ross, who revolutionized the way the world looks at terminally ill patients, has died at age 78. Her book On Death and Dying launched her career as a pioneer for hospice care."(...) She described the 5 stages that patients and their relative often go through before death: Denial, Anger, Bargaining, Grief, and Acceptance."


Uma leitura que nos capta a atenção desde as primeiras linhas pois teve a ousadia de procurar compreender a Morte e o Morrer, desmistificando este acontecimento, pois se somos educados no sentido de entender o significado da Vida, porque não entender o processo e significado da Morte?




"Há anos tenho sido perseguida por uma certa má reputação. Na verdade, tenho sido perseguida por pessoas que me vêem como Aquela Senhora que Fala Sobre a Morte e o Morrer." Elisabeth Kubler-Ross.

O livro está disponível da internet em : http://www.projectoluz.com/PublicDocs/ARodadaVida-ElisabethKubler-Ross.pdf

Um genuíno e forte abraço
Teresa


Thursday, 19 June 2014

Quotidiano de uma Unidade de Ortopedia (continuação)

Estávamos a dia 1 de abril, tudo indicava que a operação ao pé seria no dia seguinte.
Estava ansiando por esse momento quando o Dr. L. me disse que ainda não seria possível a operação ser dia 2 de abril, pois após abrirem a tala onde estava adormecido o “Todo Poderoso”, o médico constatou que o edema que me acompanhava desde Terras da Rainha Jinga havia inflamado.
Nestes casos, uma atitude de precaução permite reduzir os problemas num pós-operatório, isto é, torna-se preferível garantir que traçamos um desenho quase perfeito numa resistente e imaculada tela de algodão do que numa tela imunda e com rasgões. Por muito que o traço seja perfeito, se a base não o é, o desenho sairá sempre com imperfeições.
Alguns dias passaram até que a medicação anti-inflamatória começou a fazer efeito. Saber esperar é uma virtude que aprendo diariamente. 
Era dia 3 de abril. Da janela do meu quarto conseguia avistar a extremidade do edifício da maternidade do Hospital e do lado direito, um aglomerado de pinheiros mansos que mais se assemelhavam a um real molho de brócolos . O céu, nesse dia, estava azul e pincelado de algumas nuvens esbranquiçadas… como se os anjos tivesse feito pintura livre.
Este dia iniciou (como todos os outros) pelas 6h da manhã com a toma da medicação para as dores. Às 9h da manhã é hora de levantar para tomar banho e a rotina diária espelha-se pela sequência de acontecimentos que vos partilho:
1.       a assistente baixa a cama , em seguida retiro as calças do pijama disponibilizado pelo Hospital começando pela perna que não tem a tala. Passo para a perna engessada e com cuidado faço deslizar a “perna” do pijama até despi-la por completo;
2.       a assistente reveste-me a perna doente com um saco de plástico selando com uma fita adesiva que arranca os pelos que ainda me restam na parte superior da perna (pois com este ritual diário, de cada vez que retiro a fita lá vão mais uns”).
3.       Desloco-me, com a ajuda das minhas fiéis “mulatas” (entenda-se muletas que vieram de África) para o WC. Até lá tenho tempo para ir pensando nos detalhes logísticos que me surgem em pensamento sempre que me aventuro em mais um banho. Passo a descrever-vos a disposição do WC: um largo lavatório de frente com duas barras de apoio em cada um dos lados. À esquerda da porta temos o duche e nessa parede está uma pequena cadeira regulável que se encontra fixa à parede. Da parede saem mais duas barras de apoio que formam uma esquadria que rodeia a zona do duche. No seguimento dessa mesma parede, logo de lado, temos a retrete. Ora a ordem de pensamento-ação que eu tinha era algo como isto: “1º retiro os champôs da bolsa de higiene e coloco-os em cima da retrete; 2º coloco o pijama e a toalha na barra de apoio para melhor alcança-los; 3º retiro a embalagem da esponja disponibilizada pelo Hospital que, por sinal já vem impregnada de sabonete; 4º sento-me na cadeira regulável e dispo a parte de cima do pijama que atiro para longe, de forma a não molhá-la e a não escorregar sobre ela. 5º o deleite começa!
4.       Findo o banho, enxugo-me e inicio o processo (refletido) de vestir o pijama, ora notem: 1º a camisola; 2º as calças do pijama começando agora pela perna engessada e porquê, perguntam vocês? Para que seja mais fácil depois vestir a esquerda sem mover muito a perna doente (tudo tem estratégias que o ser humano de forma criativa e natural, encontra para superar a dificuldade). Passo então para a perna boa, penteio-me, lavo os dentes,arrumo o WC e rumo de volta à minha cama de “Hotel”.

À cabeceira tenho o livro “I dreamed of Africa” de Kuki Gallmann, uma história real que deu origem ao filme “África dos meus Sonhos”. Como me identifiquei com esta história!Esta,  relata uma sequência de acontecimentos na vida da autora de nacionalidade italiana que tinha o desejo ancestral de viver em África. A começar pelo facto de, ainda em Itália, sofrer um acidente que a deixou com fraturas múltiplas e a obrigou a meses envolta em gesso como “uma crisálida gigante”. Foi ainda como “aleijada” que colocou os pés pela primeira vez em África, no Quénia, em 1970 –"(…)ainda que apoiada nas muletas, isto finalmente era África”(Gallmann, 1991). Deixou a Europa para se fixar no Quénia desde os anos 70 até aos dias de hoje. Passou pela tragédia de perder um filho de 17 anos e o marido, em solo africano. Deu à Luz uma menina e ainda hoje, as duas partilham a sua vida dedicadas a causas nobres como à proteção e conservação da vida animal selvagem no Quénia, especialmente, os elefantes tão violentamente chacinados pelos caçadores que buscam, desenfreadamente os seus dentes de marfim.
Kuki Gallmann fundou então a The Gallmann Memorial Foundation (http://www.gallmannkenya.org/).

Mais uma vez insisto: Será Sorte, será azar, quem sabe?
Todos temos uma missão na Vida.






Um forte  e sentido abraço

Teresa

Tuesday, 6 May 2014

Quotidiano de uma Unidade de Ortopedia (peripécias!)


15 dias de internamento numa Unidade de Ortopedia de um Hospital Público permitem-nos registar alguns acontecimentos, peripécias, em suma, um quotidiano onde partilhamos parte da nossa intimidade com equipas de médicos, enfermeiros, assistentes hospitalares, assistentes de nutrição e dietética, assistentes de limpeza e com (no caso) a companheira de quarto.
Não menos importante, a convivência com outros pacientes, cada um com a sua maleita, fratura, mazela, sei lá!

Do meu quarto, de onde não saí até dois dias antes da alta médica, apenas vislumbrava a paisagem além da janela e a minha companheira de quarto. Apercebia-me, contudo, de toda a azáfama que se vivia no exterior do quarto. Escutavam-se os sons das equipas de pessoas que trabalhavam, diariamente, para garantir que todas as tarefas inerentes às suas funções, eram cumpridas. Apercebia-me de vozes de pacientes de outros quartos e habituava-me a elas. Criava todo um universo imaginário a partir daquilo que escuta e formava as minhas imagens mentais.

Algumas situações caricatas:

·         Uma senhora que deu entrada ao final de um ou dias da minha estadia e que apenas gritava:

- “Armiiindaaa, oh Armiinndaaa”, entre este chamamento insistente e ruidoso interpolava com algumas onomatopeias – “Béeeeee, béeeee” e outras expressões típicas de quem está num tremendo estado de confusão…"cócó, chichiiii!”

[rapidamente percebi que era uma senhora de 40 anos que tinha sofrido um traumatismo craniano em seguimento de um atropelamento provocado por um elétrico. Jesus! mas quem é que é atropelado por um elétrico?? ]

·         Um assistente hospitalar que chega para iniciar o turno da noite e diz - para alguém que o escutaria - de forma espirituosa e estridente: -“Preciso de uma camisola de gola alta. Não há? Só há cobertores! Este serviço deve ser muito frio para só haver cobertores! Ah, ah, ah” [talvez fosse só alguma private joke que não apanhei!]

·         Um enfermeiro que no final da noite vem fazer a “ ronda da medicação” e pergunta à minha companheira de quarto:

“D. A., tenho aqui a medicação para as dores. Prefere em comprimido ou injetável?” [a mim só me lembra aquela anedota do senhor que não conseguia dizer nem os eles nem os erres: “ ó minha senhoa, quer ém boga ou pão d’hambuga” referindo-se ao tipo de pão. Ou então aquela comédia portuguesa: “Senhora, o seu receituário? Quer em comprimido, xarope ou assim -assim?”. Acho que era isto (risos)]

·         Não havia, naquele dia, mais quartos disponíveis na Unidade de Ortopedia e nisto, uma paciente recém-chegada tem que ficar numa cama, no corredor e como tal, não tinha o típico comando, junto a cada cama, para chamar a enfermeira. Entretanto a enfermeira responsável pela paciente, com um sentido de humor apurado diz-lhe: -“Então D. X., se precisar de alguma coisa, grite! A senhora não tem comando nem quarto, não pagou a renda, não teve direito a quarto!” [confesso que no meio de alguns ais, não há como não rir destas saídas cómicas!]

 

Não são anedotas mas garanto que alguns destes caricatos episódios fizeram os meus dias!

Forte abraço!
Teresa

Wednesday, 30 April 2014

será sorte, será azar? quem sabe?

Algumas vivências, mais ou menos extremas, fazem-nos pensar. Nessa altura questionamo-nos: será sorte, será azar? quem sabe?

Aqui fica um conto vindo do Oriente que alguém especial me partilhou e que, agora, faz todo o sentido.

Era uma vez, há muito muito tempo, na Antiga China, uma pequena aldeia, muito singular, onde vivia um velho chinês agricultor com o seu filho. Um dia, a sua quinta foi devastada por uma terrível tempestade e o velho chinês perdeu as suas colheitas.
As pessoas na aldeia foram ao encontro do velho agricultor e disseram:
 - Que azar o seu!
 Mas o velho chinês respondeu: será sorte, será azar? Quem sabe?
 Um viajante que por ali passava, e que ouvira falar do velho chinês, resolveu ficar em sua casa. Foi tão bem recebido que antes de partir deixou de presente um lindo cavalo castanho. As pessoas da aldeia disseram-lhe:
 - Que sorte a sua, velho chinês!
 E ele respondeu: será sorte, será azar? Quem sabe?
 Foi então que, desde esse dia, o belo cavalo e o filho do velho chinês tornaram-se inseparáveis. Mas um pequeno acidente a cavalo fez com que o rapaz partisse uma perna. Os aldeões logo acorreram e disseram:
 - Que azar o seu!
 Mas ele disse: será sorte, será azar? Quem sabe?

 Nestes tempos deu-se uma grande guerra e os soldados percorriam as aldeias levando assim todos os jovens e saudáveis rapazes, mas o filho do velho chinês não foi levado, pois partira a perna... Logo as pessoas da aldeia disseram ao velho chinês:
 - Que sorte a sua!
 Mas ele sempre respondia: será sorte, será azar? Quem sabe?

 E esta história não acaba aqui, mas começa agora, dentro de cada um de nós...


Forte abraço!
Teresa

Tuesday, 29 April 2014

O "todo poderoso" (nome gentilmente atribuído pela minha irmã)

Mana contando(me) histórias d'embalar.


Viagem por atalhos de Luanda até ao aeroporto


do aeroporto de Lisboa para os 15 dias no Hospital


Dia 28 de março de 2014 chego ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro (Luanda) pelas 7h da manhã. O meu estado físico concedeu-me o privilégio de passar à frente de uma centena de pessoas que se encontravam a fazer o check in. Tive direito a uma cadeira de rodas mas não me livrei de esperar uma hora na porta de embarque. Eu e outro senhor que se encontrava, também ele, em cadeira de rodas fomos os últimos a entrar no avião através de uma ponte telescópica (manga de acesso ao avião em pista).
Aterro em Lisboa pelas 17h30 após 7h30 de voo (Luanda-Lisboa) de pé “entalado” (entenda-se: com tala de gesso). Depois de todos os passageiros desembarcarem, uma hospedeira e um comissário de bordo vem ao meu encontro e trazem-me uma cadeira especial. Um assistente do Aeroporto de Lisboa transporta-me para fora do avião e leva-me ao longo de largos corredores. Fomos a falar, descontraidamente, e inclusive disse-lhe que esta estratégia do “pé de gesso” era porreira para se passar à frente de tudo e de todos (risos). Contou-me então que, eu não imaginava a quantidade de pessoas que se faziam passar por inválidas para terem direito ao serviço especial de assistência do Aeroporto de Lisboa. Fiquei a saber que todos os passageiros têm direito ao serviço de assistência em caso de mobilidade reduzida: MY Way
Após levantar as minhas malas avisto a minha família nas “Chegadas”. Fiquei muito feliz por vê-los. Entro no carro, de perna em riste, e em plena hora de ponta dirigimo-nos do Aeroporto para o Hospital Público X (prefiro não mencionar o nome por uma questão de proteção de identidade do próprio serviço). Raining cats and dogs, e eu que vinha de um espetacular calor tropical umas horas antes e encontro, agora, uma Lisboa cinzenta.
Dou entrada nas urgências do hospital pelas 19h e aguardo pela chamada, mais uma vez, em cadeira de rodas e quando sou conduzida pelo marido para a sala de espera, este passa com o meu “pé de gesso” a escassos milímetros de um pin que servia de suporte a uma cinta orientadora de filas (tecnicamente conhecido como pedestal organizador de filas), fazendo-lhe uma razia.

Bem sei que ninguém tem a carta de condução obrigatória de cadeiras de rodas mas nesse momento, pensei - após ter sido conduzida nas últimas 48h em cadeira de rodas por diferentes pessoas entre Luanda e Lisboa, é agora que tenho um acidente nesta nobre viatura provocado pelos meus próprios familiares (risos). Sim, porque depois foi a vez de a minha mãe me conduzir por uma rampa fazendo os meus maxilares saltitarem (tal como nos filmes cómicos evocando a lei de Murphy).

Bom, depois de toda esta adrenalina lá sou chamada e seguem-se a consulta, Rx, análises. Mais uma vez, o diagnóstico confirmava a necessidade de uma operação ao pé, contudo, a existência de umas flictenas (bolhas) causadas pelo excesso de horas de avião com a perna para baixo impuseram que ficasse internada para ser intervencionada muito em breve. Assim foi. Finalmente, às 1h da manhã dou entrada no quarto de internamento, no serviço de Ortopedia.

Seguiram-se 15 dias consecutivos de internamento sobre os quais falarei em próximos posts pois a sociologia do quotidiano de uma unidade de Ortopedia num Hospital público é digna de partilha!
Prova superada para mim: Foi a primeira vez que fiz um voo internacional de longo curso, sozinha e ainda por cima, em modo “pé de gesso”! A partir daqui tudo são peanuts.
Um forte abraço,
Teresa

Há gatos em N'gola



Hotel Peixoto - Luanda


Este foi o hotel onde fiquei hospedada quando cheguei a Luanda. Um hotel familiar mas muito acolhedor.

Saturday, 26 April 2014

22 dias em angola

Um ciclo se fecha e outro se abre. Escrevi este post no dia 27 de março de 2014. Encontrava-me no aeroporto internacional 4 de fevereiro, em Luanda, enquanto esperava em cadeira de rodas pelo embarque Luanda-Lisboa.
Este ciclo iniciou dia 5 de março, por acaso (ou não!) - o meu dia de anos.
Embarquei com a minha colega C.C. por volta das 23h para Angola, destino Luanda. Aterrámos dia 6 de março pelas 7h30 da manhã para uma experiência que iria durar 6 meses, aproximadamente. Iria integrar um projeto de dimensão nacional em Angola.
Posso partilhar que fui bem recebida por angolanos.
SIM:
-sim, o trânsito em Luanda é caótico;
-sim, tudo funciona num ritmo muito próprio;
- sim, é importante ter disponibilidade para sair da zona de conforto;
- sim, há gatos em Angola;
- sim, a Baía de Luanda é maravilhosaa;
- sim, a vida em Luanda é caríssima mas existem locais onde se pode comer por 2000 Kz. Ex: Clube Náutico da Ilha de Luanda;
- sim, o céu africano é lindo;
- sim, Angola desenvolve-se a olhos vistos;
- sim, os supermercados em Angola têm tudo aquilo que temos na Europa;
- sim, provei FUNGE e não é assim tão mau!
- sim, respeitar as regras de trânsito em Luanda é = a transgressão;
- sim, conduzi em Luanda e...é a loucura = a adrenalina em estado puro;
- sim, a brisa em África tem power!
- sim, dancei kizomba;
- sim, fui picada por mosquitos;
- sim, há muitooos portugueses em Angola;
- sim, a internet é fraca mas consegue aceder-se adquirindo uma placa da UNITEL e fazendo a recarga de alguns UTTs;
- sim, conheci a centralidade do Kilamba;
- sim, as crianças angolanas são um mimo;
- sim nesta terra respeitam-se os Mais Velhos;
- sim, os candongueiros (Toyota Hiace) são os reis do asfalto;
- sim, lavei os dentes com água da torneira;
- sim, em Angola trabalha-se!
- sim, um jipe é indispensável para se conduzir na época das chuvas;
NÃO:
- não, não fui assaltada;
- não, não fui mandada parar pela polícia nem nunca me pediram "gasosa";

No vigésimo dia desta estadia fraturei o pé direito em três sítios, em casa e da forma mais insólita possível - num minidegrau de 10 cm, não mais...
Após visita a duas clínicas em Luanda posso dizer que fui bem acompanhada e o diagnóstico médico corretamente efetuado, contudo, optei por regressar a Portugal para ser sujeita a uma intervenção cirúrgica que me obrigou a uma estadia, obrigatória, de 15 dias num hospital público, em Lisboa (falar-vos-ei desta animada estadia nos próximos posts!).

Bom, chegando ao fim deste primeiro post, serve esta partilha para desmistificar alguns mitos sobre Luanda, sobre Angola... mitos esses de quem não está nem nunca esteve neste país e vive alimentando medos sobredimensionados, não obstante a que muitas peripécias por lá possam ocorrer. De toda a maneira, e na Europa, não há?
Por vezes existem recuos que se revelarão avanços mais tarde, é assim que entendo as coisas, como tal espero voltar a Angola em breve***


cenas do próximo post: "do aeroporto de Lisboa para os 15 d.no Hospital"

ESTAMOS JUNTO!


Teresa

sushi in N'gola (Baía de Luanda)




domingo cultural (Luanda)






a caminho do kilamba (Luanda)