E quando deixarmos de ter objetivos na Vida?
Este era um dos pensamentos que me ocorriam por vezes. Hoje
em dia sou grata pois, temos tanta coisa para explorar, mesmo que alguma coisa
nos queira travar há sempre outras para começar!
Isto sim, motiva-me. Estou sempre salva! Creio que mesmo que
estivesse inválida ou com alguma limitação física teria sempre uma teia de
interesses para me ocupar.
Tanta coisa para pesquisar, investigar, analisar…!
Não pretendo entrar em triviais e "batidos" discursos motivacionais mas
é uma constatação.
Ora reparem e acompanham-me nesta viagem de significados:
Diariamente, e sempre que posso, enceto uma caminhada
matinal num itinerário que começa à porta de minha casa, passa por um
eucaliptal e retorna ao ponto de partida.
Quando saio de casa e atravesso uma estrada, do meu lado
direito observo que a vegetação amarela e seca deixada pelo Verão deu lugar a
uma paisagem de denso verde, plantas, ervas e afins que crescem sem parar. A
chuva destes dias deixa correr alguns carreiros de água que escorrem das “encostas”
junto à estrada, e sempre que passo por eles ouvindo aquele som de água
corrente consigo abstrair-me dos carros e camiões que deixam o seu rasto cinza…
Alguns metros à frente, depois de dar os bons dias às(aos)
funcionárias(os) da padaria onde tomo o meu café matinal, dobro a rua e subo uma
pequena estrada. Nesta estrada onde, ainda se podem encontrar algumas oficinas tradicionais
de automóveis e outros negócios familiares, passo por um jardim-de-infância. No
parque deste jardim-de-infância, uma menina com ar sereno que se encontra junto
à vedação que separa o parque da rua, fixa os seus olhos em mim. Esboço um
sorriso e dou-lhe os bons dias ao que ela retribui com uma expressão de “estou-bem-com-a-vida”.
Num outro canto observo uma pequena que, de olhar triste, se isolou e depois de
levar os olhos para alguma situação que não a agradou, fechou os olhos em modo
amuado esperando que algum colega fosse acarinha-la. Em escassos segundos pude
observar que duas crianças da mesma idade manifestaram comportamentos e atitudes
diferentes e que, por isso, se poderá ter uma ideia de que todos temos os
nossos dias mas a nossa atitude perante a vida é ditada desde pequenos.
Voltando ao caminho, subo mais um pouco e chego ao “meu”
Eucaliptal, à “minha” mata d’Avalon. Constato que há vida everywhere. Há dias
um caracol pousava, majestosamente, num galho de um arbusto. Um atrevido! Pois
com o tempo que entretanto refrescou, este colocou-se a si próprio num desafio.
Mais adiante, uns cogumelos deram vida a um recanto entre
duas árvores:
Também o azevinho, típico arbusto/árvore português(a), deu o
ar de sua graça cheio de bolotas a denunciar que entrámos na época natalícia.
Ao me aproximar do
alto, as ruínas de um velho moinho - onde todos os verões passo algumas horas a
meditar, a ler, a olhar .... - mostram-me que o CAMINHO é o Céu, a expansão da
CONSCIÊNCIA.
Couves e gatos convivem de perto com os transeuntes. Que
maravilha! Pergunto-me se as próximas gerações terão o usufruto destes privilégios
sem que para isso tenha que empreender alguma viagem intergaláctica para
desfrutar das suas férias de verão em lugares paradisíacos?
Deixando o caminho por alguns momentos, outra situação a
explorar e sobre a qual me poderia deter (isto à conclusão de termos, na vida,
tantas coisas engraçadas sobre as quais refletir):
Tenho um gato, jovem adulto e a convivência diária com ele
fez-me começar a despertar para a compreensão dos seus comportamentos. É
curioso como, no seio do meu agregado familiar, este gato desenvolveu uma
relação no mínimo curiosa, comigo. Bem sei que, sendo eu a figura que o
alimenta e cuida, torna-se natural que o Pepe me veja como a sua progenitora e me
procure com frequência mas a nossa relação num momento é de carinho e doçura
mútuos, no momento a seguir ele apanha-me desprevenida, coloca as suas orelhas
para trás, levanta as narinas e começa a adotar uma postura de dominância para,
em seguida, me cravar com os seus dentes e unhas! A ira, por momentos invade-me
e dou-lhe um grito (ainda não consegui controlar este ímpeto) e desato atrás
dele como se o espírito de uma criança possuída descesse em mim J.
Ainda não consegui encontrar uma explicação para este
comportamento (o dele, claro!) pois convivo com outros gatos no seio da minha
família e nunca me foi relatado nada deste género. Bom, por outro lado
encontrei o criador deste genial gato, SIMON
the cat (http://www.simonscat.com/About/).
Convido-vos a dar por lá um salto e se têm gatos, por certo, irão reconhecer
muitos dos comportamentos aqui patentes.
Um vídeo engraçado:
[Voltando ao caminho, de cada vez que o faço cruzo-me sempre
com novos elementos, novas ideias]
Quando piso o carreiro de folhas, relva e terra nesta
"minha" mata d’Avalon sou, automaticamente, transportada para o
período da minha infância. No colégio que frequentava pelos meus 7 anos, todas
as tardes, depois da sala de estudo nos era concedido algum tempo para brincar
naquele imenso manto verde e castanho que ia do Instituto Sup. Técnico até à
Fonte Luminosa. A meio desse extenso relvado, no Outono, havia imensas folhas
de plátano, amarelas e vermelhas, que me entretinha a pisar e a brincar. O
carreiro de terra e folhas fazia-me imaginar cenários, espicaçava a minha
criatividade e a vontade de encenar histórias. Aquilo que todas as crianças
deviam ser estimuladas a fazer.
Termino deixando-vos alguns registos da "minha"
mata d’Avalon, beyond de mirror [ ].
Um genuíno abraço na Alma e um beijo na face!
Uma música para o caminho:
Teresa Ribeiro























