Algumas vivências, mais ou menos extremas, fazem-nos pensar. Nessa altura questionamo-nos: será sorte, será azar? quem sabe?
Aqui fica um conto vindo do Oriente que alguém especial me partilhou e que, agora, faz todo o sentido.
Era uma vez, há muito muito tempo, na Antiga China, uma pequena aldeia, muito singular, onde vivia um velho chinês agricultor com o seu filho. Um dia, a sua quinta foi devastada por uma terrível tempestade e o velho chinês perdeu as suas colheitas.
As pessoas na aldeia foram ao encontro do velho agricultor e disseram:
- Que azar o seu!
Mas o velho chinês respondeu: será sorte, será azar? Quem sabe?
Um viajante que por ali passava, e que ouvira falar do velho chinês, resolveu ficar em sua casa. Foi tão bem recebido que antes de partir deixou de presente um lindo cavalo castanho. As pessoas da aldeia disseram-lhe:
- Que sorte a sua, velho chinês!
E ele respondeu: será sorte, será azar? Quem sabe?
Foi então que, desde esse dia, o belo cavalo e o filho do velho chinês tornaram-se inseparáveis. Mas um pequeno acidente a cavalo fez com que o rapaz partisse uma perna. Os aldeões logo acorreram e disseram:
- Que azar o seu!
Mas ele disse: será sorte, será azar? Quem sabe?
Nestes tempos deu-se uma grande guerra e os soldados percorriam as aldeias levando assim todos os jovens e saudáveis rapazes, mas o filho do velho chinês não foi levado, pois partira a perna... Logo as pessoas da aldeia disseram ao velho chinês:
- Que sorte a sua!
Mas ele sempre respondia: será sorte, será azar? Quem sabe?
E esta história não acaba aqui, mas começa agora, dentro de cada um de nós...
Forte abraço!
Teresa
Wednesday, 30 April 2014
Tuesday, 29 April 2014
do aeroporto de Lisboa para os 15 dias no Hospital
Dia 28 de março de 2014 chego ao
Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro (Luanda) pelas 7h da manhã. O meu estado
físico concedeu-me o privilégio de passar à frente de uma centena de pessoas
que se encontravam a fazer o check in.
Tive direito a uma cadeira de rodas mas não me livrei de esperar uma hora na porta
de embarque. Eu e outro senhor que se encontrava, também ele, em cadeira de
rodas fomos os últimos a entrar no avião através de uma ponte telescópica
(manga de acesso ao avião em pista).
Aterro em Lisboa pelas 17h30 após 7h30
de voo (Luanda-Lisboa) de pé “entalado” (entenda-se: com tala de gesso). Depois
de todos os passageiros desembarcarem, uma hospedeira e um comissário de bordo
vem ao meu encontro e trazem-me uma cadeira especial. Um assistente do
Aeroporto de Lisboa transporta-me para fora do avião e leva-me ao longo de
largos corredores. Fomos a falar, descontraidamente, e inclusive disse-lhe que
esta estratégia do “pé de gesso” era porreira para se passar à frente de tudo e
de todos (risos). Contou-me então que, eu não imaginava a quantidade de pessoas
que se faziam passar por inválidas para terem direito ao serviço especial de
assistência do Aeroporto de Lisboa. Fiquei a saber que todos os passageiros têm
direito ao serviço de assistência em caso de mobilidade reduzida: MY Way
Após levantar as minhas malas avisto a
minha família nas “Chegadas”. Fiquei muito feliz por vê-los. Entro no carro, de
perna em riste, e em plena hora de
ponta dirigimo-nos do Aeroporto para o Hospital Público X (prefiro não
mencionar o nome por uma questão de proteção de identidade do próprio serviço).
Raining cats and dogs, e eu que vinha
de um espetacular calor tropical umas horas antes e encontro, agora, uma Lisboa
cinzenta.
Dou entrada nas urgências do hospital
pelas 19h e aguardo pela chamada, mais uma vez, em cadeira de rodas e quando
sou conduzida pelo marido para a sala de espera, este passa com o meu “pé de
gesso” a escassos milímetros de um pin que servia de suporte a uma cinta
orientadora de filas (tecnicamente conhecido como pedestal organizador de
filas), fazendo-lhe uma razia.
Bem sei que ninguém tem a carta de condução obrigatória de cadeiras de rodas mas nesse momento, pensei - após ter sido conduzida nas últimas 48h em cadeira de rodas por diferentes pessoas entre Luanda e Lisboa, é agora que tenho um acidente nesta nobre viatura provocado pelos meus próprios familiares (risos). Sim, porque depois foi a vez de a minha mãe me conduzir por uma rampa fazendo os meus maxilares saltitarem (tal como nos filmes cómicos evocando a lei de Murphy).
Bom, depois de toda esta adrenalina lá
sou chamada e seguem-se a consulta, Rx, análises. Mais uma vez, o diagnóstico
confirmava a necessidade de uma operação ao pé, contudo, a existência de umas
flictenas (bolhas) causadas pelo excesso de horas de avião com a perna para
baixo impuseram que ficasse internada para ser intervencionada muito em breve. Assim
foi. Finalmente, às 1h da manhã dou entrada no quarto de internamento, no serviço de Ortopedia.
Seguiram-se 15 dias consecutivos de
internamento sobre os quais falarei em próximos posts pois a sociologia do quotidiano de uma unidade de Ortopedia
num Hospital público é digna de partilha!
Prova superada para mim: Foi a
primeira vez que fiz um voo internacional de longo curso, sozinha e ainda por
cima, em modo “pé de gesso”! A partir daqui tudo são peanuts.
Um forte abraço,
Teresa
Hotel Peixoto - Luanda
Este foi o hotel onde fiquei hospedada quando cheguei a Luanda. Um hotel familiar mas muito acolhedor.
Saturday, 26 April 2014
22 dias em angola
Um ciclo se fecha e outro se abre. Escrevi este post no dia 27 de março de 2014. Encontrava-me no aeroporto internacional 4 de fevereiro, em Luanda, enquanto esperava em cadeira de rodas pelo embarque Luanda-Lisboa.
Este ciclo iniciou dia 5 de março, por acaso (ou não!) - o meu dia de anos.
Embarquei com a minha colega C.C. por volta das 23h para Angola, destino Luanda. Aterrámos dia 6 de março pelas 7h30 da manhã para uma experiência que iria durar 6 meses, aproximadamente. Iria integrar um projeto de dimensão nacional em Angola.
Posso partilhar que fui bem recebida por angolanos.
SIM:
-sim, o trânsito em Luanda é caótico;
-sim, tudo funciona num ritmo muito próprio;
- sim, é importante ter disponibilidade para sair da zona de conforto;
- sim, há gatos em Angola;
- sim, a Baía de Luanda é maravilhosaa;
- sim, a vida em Luanda é caríssima mas existem locais onde se pode comer por 2000 Kz. Ex: Clube Náutico da Ilha de Luanda;
- sim, o céu africano é lindo;
- sim, Angola desenvolve-se a olhos vistos;
- sim, os supermercados em Angola têm tudo aquilo que temos na Europa;
- sim, provei FUNGE e não é assim tão mau!
- sim, respeitar as regras de trânsito em Luanda é = a transgressão;
- sim, conduzi em Luanda e...é a loucura = a adrenalina em estado puro;
- sim, a brisa em África tem power!
- sim, dancei kizomba;
- sim, fui picada por mosquitos;
- sim, há muitooos portugueses em Angola;
- sim, a internet é fraca mas consegue aceder-se adquirindo uma placa da UNITEL e fazendo a recarga de alguns UTTs;
- sim, conheci a centralidade do Kilamba;
- sim, as crianças angolanas são um mimo;
- sim nesta terra respeitam-se os Mais Velhos;
- sim, os candongueiros (Toyota Hiace) são os reis do asfalto;
- sim, lavei os dentes com água da torneira;
- sim, em Angola trabalha-se!
- sim, um jipe é indispensável para se conduzir na época das chuvas;
NÃO:
- não, não fui assaltada;
- não, não fui mandada parar pela polícia nem nunca me pediram "gasosa";
No vigésimo dia desta estadia fraturei o pé direito em três sítios, em casa e da forma mais insólita possível - num minidegrau de 10 cm, não mais...
Após visita a duas clínicas em Luanda posso dizer que fui bem acompanhada e o diagnóstico médico corretamente efetuado, contudo, optei por regressar a Portugal para ser sujeita a uma intervenção cirúrgica que me obrigou a uma estadia, obrigatória, de 15 dias num hospital público, em Lisboa (falar-vos-ei desta animada estadia nos próximos posts!).
Bom, chegando ao fim deste primeiro post, serve esta partilha para desmistificar alguns mitos sobre Luanda, sobre Angola... mitos esses de quem não está nem nunca esteve neste país e vive alimentando medos sobredimensionados, não obstante a que muitas peripécias por lá possam ocorrer. De toda a maneira, e na Europa, não há?
Por vezes existem recuos que se revelarão avanços mais tarde, é assim que entendo as coisas, como tal espero voltar a Angola em breve***
cenas do próximo post: "do aeroporto de Lisboa para os 15 d.no Hospital"
ESTAMOS JUNTO!
Teresa
Este ciclo iniciou dia 5 de março, por acaso (ou não!) - o meu dia de anos.
Embarquei com a minha colega C.C. por volta das 23h para Angola, destino Luanda. Aterrámos dia 6 de março pelas 7h30 da manhã para uma experiência que iria durar 6 meses, aproximadamente. Iria integrar um projeto de dimensão nacional em Angola.
Posso partilhar que fui bem recebida por angolanos.
SIM:
-sim, o trânsito em Luanda é caótico;
-sim, tudo funciona num ritmo muito próprio;
- sim, é importante ter disponibilidade para sair da zona de conforto;
- sim, há gatos em Angola;
- sim, a Baía de Luanda é maravilhosaa;
- sim, a vida em Luanda é caríssima mas existem locais onde se pode comer por 2000 Kz. Ex: Clube Náutico da Ilha de Luanda;
- sim, o céu africano é lindo;
- sim, Angola desenvolve-se a olhos vistos;
- sim, os supermercados em Angola têm tudo aquilo que temos na Europa;
- sim, provei FUNGE e não é assim tão mau!
- sim, respeitar as regras de trânsito em Luanda é = a transgressão;
- sim, conduzi em Luanda e...é a loucura = a adrenalina em estado puro;
- sim, a brisa em África tem power!
- sim, dancei kizomba;
- sim, fui picada por mosquitos;
- sim, há muitooos portugueses em Angola;
- sim, a internet é fraca mas consegue aceder-se adquirindo uma placa da UNITEL e fazendo a recarga de alguns UTTs;
- sim, conheci a centralidade do Kilamba;
- sim, as crianças angolanas são um mimo;
- sim nesta terra respeitam-se os Mais Velhos;
- sim, os candongueiros (Toyota Hiace) são os reis do asfalto;
- sim, lavei os dentes com água da torneira;
- sim, em Angola trabalha-se!
- sim, um jipe é indispensável para se conduzir na época das chuvas;
NÃO:
- não, não fui assaltada;
- não, não fui mandada parar pela polícia nem nunca me pediram "gasosa";
No vigésimo dia desta estadia fraturei o pé direito em três sítios, em casa e da forma mais insólita possível - num minidegrau de 10 cm, não mais...
Após visita a duas clínicas em Luanda posso dizer que fui bem acompanhada e o diagnóstico médico corretamente efetuado, contudo, optei por regressar a Portugal para ser sujeita a uma intervenção cirúrgica que me obrigou a uma estadia, obrigatória, de 15 dias num hospital público, em Lisboa (falar-vos-ei desta animada estadia nos próximos posts!).
Bom, chegando ao fim deste primeiro post, serve esta partilha para desmistificar alguns mitos sobre Luanda, sobre Angola... mitos esses de quem não está nem nunca esteve neste país e vive alimentando medos sobredimensionados, não obstante a que muitas peripécias por lá possam ocorrer. De toda a maneira, e na Europa, não há?
Por vezes existem recuos que se revelarão avanços mais tarde, é assim que entendo as coisas, como tal espero voltar a Angola em breve***
cenas do próximo post: "do aeroporto de Lisboa para os 15 d.no Hospital"
ESTAMOS JUNTO!
Teresa
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