Sunday, 26 July 2015

Carta ao meu gato PEPE (que tem a doença Lipidose Hepática)

Olá queridos leitores e amigos,

Sei que há algum tempo não vos escrevo um post mas partilho, agora, a carta que escrevi ao meu gato Pepe Rivera.



Querido Pepe,

A decisão de te adotar chegou em dezembro de 2011 mas foi naquele dia frio de janeiro de 2012 que eu e a minha filha B. fomos à União Zoofila (UZ) escolher-te. Depois de termos visto "n" gatos e nenhum me atrair a vet. sugeriu-me que fosse à enfermaria pois estavam lá uns gatinhos bebés. Imediatamente acedi. Realmente os pequenos eram fofos mas assim que os meus olhos deslizaram em ti foi paixão à primeira vista. Foi uma troca energética brutal. Já eras adulto, atrevido e com um focinho rosado e limpinho. Ainda não sabiam se tinhas a sida dos gatos mas eu já te tinha escolhido (ou melhor, tu já me tinhas escolhido!).
Eras o novo elemento da família.
Convivi com gatos desde muito cedo mas o facto de serem cuidados pela minha mãe fez como que nunca sentisse a verdadeira responsabilidade pelo cuidar do “outro”. No meu íntimo receava os gatos, não sabia lidar com as reações imprevisíveis que os da tua espécie manifestavam!
Cortar as unhas, dar banho, dar um comprimido…ui! Sempre lhes dei festas mas senti-los em cima da minha cama durante a noite causava-me desconforto. Sonhava e ainda sonho com gatos que me atacam!
O compromisso de cuidar de um animal e em especial um gato fez-me colocar em modo “desafio a mim própria". No passado tinha um comportamento egoísta em alguns aspetos que se relacionavam com o cuidar de outros. Não me sentia preparada para ficar “presa” por animais de estimação mas compreendia agora que, “quem adquire um gato aprecia a independência”(M.S.Guerreiro, 2014, p.53) e contigo aprendi a trabalhar o amor incondicional mantendo o meu nível de independência. Aquilo que recebemos na relação gato-homem é demasiadamente especial.
Constato agora que, talvez sejas um espelho da minha pessoa (sabes a que me refiro :). Em diferentes momentos tens-me mordido  para magoar e beliscado, talvez em modo de mensagens que ainda estou a descobrir. Não entendia o teu comportamento em casa, apenas comigo…Passavas-te de um momento para o outro! Mas ao mesmo tempo andas sempre comigo, atrás de mim e a energia que sinto de ti é tão boa...
A médica veterinária e comunicadora telepática que desenvolve um trabalho excecional com animais, Marta Sofia Guerreiro diz que “se é dono de um gato, tenha em consideração a sua visão – interior e exterior – no que diz respeito ao que vê dentro (o que intui) e fora de si (…) “ a lição é que deve aprender a ver até em condições de grande escuridão e de forma mais abrangente. Torne-se um visionário!” (2014, p.53). 
O sentido mais apurado dos gatos é, sem dúvida a visão e por isso veem em condições adversas e em ambientes noturnos (percebi a mensagem! )
Pois é meu querido Pepe, donos de gatos estão a trabalhar mais profundamente o seu lado feminino e curiosamente, quando há um ano e alguns meses parti o pé da perna direita a sugestão que algumas pessoas ligadas às terapias holísticas me disseram foi que analisasse a minha energia feminina, cuidasse do meu lado feminino.
Estou a trabalhar nisso e quero chegar às minhas próprias conclusões mas é uma tarefa hercúlea!
Dia 20 de julho comecei a notar-te mais apático, sonolento e sem vontade de comer. Pensei que estavas a vegetar lutando contra o calor que se fazia sentir há uma semana atrás. Percebi que esse estado permanecia e na quinta-feira resolvi levar-te ao veterinário.
Diagnóstico: Lipidose hepática (http://www.infoescola.com/medicina-veterinaria/lipidose-hepatica-felina/). Um diagnóstico nada animador pois o teu fígado estava a ser invadido, literalmente, por gordura. Ainda há 15 dias tinha acompanhado a minha mãe que sofria por ter de tomar a decisão de eutanasiar a Pixie, a sua gatinha de 13 anos por espondiolose. Tivemos que passar esse doloroso processo.
Em relação a ti Pepinho, como carinhosamente te chamamos a partir do momento em que percebemos que respondias melhor ao som “inho”, a médica explicou-me que os gatos com esta doença deixam de querer alimentar-se e que, embora exista tratamento, a taxa de mortalidade é de 80%.
Quando a doença avança o cenário complica-se e o gato com esta maleita tem de usar um cateter para que possa ser alimentado. No limite, a morte.
“A reversão da doença passa essencialmente pelos donos, em procederem ao tratamento rigoroso do seu gato e lhe providenciarem acompanhamento” disse-me a Drª. E.
Já percebi a mensagem mais uma vez… a responsabilidade está a ser colocada em mim e daqui tenho a oportunidade de retirar aprendizagens. Percebi que, vocês gatos, trazem mensagens para nós humanos, para que tenhamos a possibilidade de evoluir.
Abdicarei de me evadir e ausentar para férias, agora, por uma semana como tinha previsto pois, cá em casa dedicar-te-emos total atenção e evitaremos ao máximo que vivas situações de stress. Estas situações de stress engordam-te, automaticamente, o fígado! Em conjunto ajudar-te-ei a reverter este fígado gordo!
Faço-te e continuarei a fazer-te Reiki diariamente. Aplicar-te-emos os comprimidos diariamente (e olha que não é tarefa fácil, hein mas já descobri um site porreiro e estás lixado comigo! Ahahah: https://www.youtube.com/watch?v=SzOZc9XXfAk ). 7 variedades de medicamentos manhã e noite, poça! Mas vais ficar um espetáculo.
O meu compromisso para além de te tratar fisicamente será entender qual a mensagem que me queres transmitir com a doença que resolveste desenvolver. Prometo estar mais atenta e refletir sobre o que poderei alterar para ser melhor pessoa.
Na próxima sexta-feira vamos fazer uma avaliação do teu estado e vais estar melhor, eu sei que sim!

Um beijo nesse lombo de flanela doce*


Livro que consultei:
Guerreiro, M. (2014). Conversas com Animais. Alfragide: Lua de Papel