Sunday, 29 November 2015

És presunçoso? És presunçosa?

Olá queridos leitores e amigos,

Há dias uma amiga partilhou comigo que tinha conseguido organizar, com sucesso, um evento que lhe tirou algumas horas de sono. O evento decorreu muito bem de acordo com o que tinha previsto.
Ela estava feliz mas ao mesmo tempo tinha dificuldade em reconhecer que tinha sido realmente boa naquilo que fez. Estávamos acompanhadas por outras pessoas quando lhe dei os parabéns ao que respondeu com um singelo: “ah…isto não foi nada, era o meu dever…” Como não foi nada? Foi muito! Porque será que temos tanta dificuldade em assumir publicamente que somos ou fomos bons em alguma coisa?
Efetivamente tem uma explicação.
Quando somos pequenos fazem-nos acreditar que gostar de nós em demasia é de mau gosto. Se nos apreciamos, autopromovemos o que fazemos, autoelogiamos ou nos admiramos somos mal entendidos. "Parece mal"…
Curiosamente, em pequenos ensinam-nos hábitos de higiene pessoal (tomar banho, lavar os dentes, etc..) mas a higiene mental é profundamente descuidada.
Valorizamos a grande modéstia e humildade quando por dentro até estamos a pular de alegria pelas nossas conquistas mas….. refreiem-se os ânimos minha gente! Controlemos o autoelogio. Esta modéstia destrutiva que arruína as nossas virtudes terá custos elevados quando nos tornamos adultos, a tristeza crónica e a depressão são alguns deles.
Naturalmente que…impere o bom senso nas nossas atitudes, ainda assim aprender a gostar de nós próprios sem nos sentirmos culpados é o maior presente que nos podemos oferecer.
Como é bom cuidarmo-nos, descobrir o que nos faz saltar o coração, fazermos escolhas…
Rebatam as vossas crenças de que “é mau falar bem de si próprio” , “parece mal assumir publicamente que fiz um bom trabalho”, “depois dizem que tenho a mania”. Procurem aceitar com autenticidade o que acham que fizeram bem, ou assumir as vossas virtudes pois esse estado de "ah..não foi nada, foi o meu dever" - propaga-se aos momentos em que estão sós.
A imagem que temos de nós mesmos é aprendida, não é inata, por isso cultivem o amor por vós. Apliquem creme no corpo, celebrem as vossas vitórias (mesmo que pequenas), aproximem-se e rodeiem-se de pessoas que vos valorizem e lembrem-se de verbalizar afirmações positivas: “eu sou uma pessoa de valor, amo-me, cuido-me, tenho um raciocínio rápido, sou inteligente, sou sensível, sou amorosa/o, simpático/a….”.

                    O único responsável pela tua felicidade és tu mesmo!


Tenham um excelente domingo!
Teresa

Sunday, 15 November 2015

Foco.Desfoco.Foco.Desfoco.FOCO

Caros amigos e leitores,

Há dias estava desesperada e de mente desfocada pois tinha um amontoado de tarefas para fazer: tarefas de domínio profissional, tarefas do lar, burocracias para tratar...the real caos!

Um exemplo para que percebam o nível de (des)foco e vejam se também já sentiram o mesmo:

Habitualmente construo uma lista com todos os assuntos e tarefas que procuro fazer naquele dia e à medida que as vou concluindo coloco uma flag ou "pisco"(como queiram) no ponto em questão. Neste dia estava a demorar a "picar" os pontos que tinha determinado.

Momento 1
Ligo o PC para adiantar umas tarefas de trabalho, toca o telemóvel. Atendo, resolvo o assunto e regresso à tarefa A (vamos chamar desta forma para facilitar).
Demoro uns segundos a voltar ao raciocínio da tarefa  que estava a fazer.

Momento 2
Estou de volta da tarefa A. Os e-mails estão a cair e tenho a tentação de abrir (pensando "pode ser alguma coisa importante"). Abro 1 e-mail com o pedido de resolução de uma outra tarefa da empresa (tarefa B). Penso por instantes: "espera...já vou tratar disto, é importante mas tenho de terminar o que estou a fazer".
Demoro mais alguns segundos a sintonizar-me com a tarefa A. Fico a remoer..."bom, o melhor é já despachar a tarefa B para não pensar mais nisto!". Trato da tarefa B. Disperso...e volto à tarefa A.

Que canseira...e nisto já passou meia hora desde a hora que iniciei a tarefa A.

Por vezes trabalho a partir de casa e naquele dia tocaram à campainha. Bolas! Lá me levanto e afinal era o  carteiro!

Regresso à tarefa A e entretanto o horário que tinha definido como limite para concluir a tarefa A já passou em 10 minutos. Culpabilizo-me pela minha dispersão...
Lembro-me, entretanto, que ainda tenho de ir às compras hoje...

Em suma, provavelmente identificam-se com este "drama" consecutivo. Este problema trata-se de uma falta de FOCO , definida como uma medida de atenção e de alocação de recursos mentais.

Poderão imaginar quantos CEO's têm de responder a solicitações constantes tendo que estender as suas jornadas diárias de trabalho para além do razoável por não terem conseguido colocar o "pisco" em todas as tarefas e assuntos a resolver?

Talvez seja curioso pensar que , muitos de nós, durante o dia de trabalho gostamos de consultar o jornal "Público" online ou mesmo dar um salto ao Facebook, ou ajudar um colega que precisa de orientação, ou de atender um cliente e ter de gerir pedidos por e-mail, tudo em simultâneo! E está tudo bem..não fosse ter passado 1 hora para além do razoável.

Quantos de nós resistem a uma notificação de novo e-mail no telefone ou um alerta de mensagem escrita? Por vezes é superior a nós pois necessitamos de eliminar a dúvida e concluir o processo de incerteza!

Pois é, partilho uma dica recente:

Para estimularmos o FOCO e aumentarmos a produtividade resistindo aos alertas de e-mail, toque de campainha ou de telemóvel o melhor é "condicionar o contexto para reduzir ou mesmo suspender estímulos externos em períodos específicos" (Mata, 2015).

Em vez de contrariarmos a tentação o melhor é mesmo reduzir os estímulos, o ruído virtual e afins!

Antes disso importa lembrar que é importante que conheçamos e aceitemos os nossos limites de focalização para que desta forma possamos fazer as melhores escolhas sobre as atividades prioritárias no momento.
Por exemplo: se sei que me distraio com o facebook ou e-mail, o melhor é entre as "x" e as "y" desligar a internet e concentrar-me em 1 tarefa de cada vez.

Gonçalo Gil Mata lembra-nos que "100 mensagens num dia de trabalho podem provocar, em média, uma interrupção a cada 5 minutos".

Experimentem!
                                                        créditos: Adriano Hamaguchi

E aqui está a referência ao livro que me tem ajudado:

Mata, G. (2015). Ainda não tive tempo - 7 passos para ser mais produtivo com menos disciplina. Porto: Porto Editora

Tenham um fim de domingo excelente!

Teresa

Sunday, 8 November 2015

A minha contribuição...



Foi com muito orgulho que recebi há uns meses o convite da APDASC (Associação Portuguesa Desenvolvimento da Animação Sociocultural) para integrar, como co-autora, um livro que servirá por certo a animadores e outros técnicos de intervenção social que trabalhem com a Terceira Idade.
Mais um instrumento de trabalho!

Enquanto animadora sociocultural que interveio com a terceira idade acumulei um manancial de experiências que coloco à disposição de futuros animadores, cuidadores e outros interessados em saber mais sobre estas temáticas.

O Livro tem como título "Jogos e Atividades Adaptadas ao Trabalho com Seniores" (Cerca de 75 propostas e variantes de jogos, exercícios, construções, oficinas, atividades e programas em animação sociocultural, que procuram promover uma relação consciente e positiva do sénior consigo próprio, com o grupo e com a comunidade.


Uma recolha experimentada dos animadores socioculturais Ana Correia, Ana Silva, Bruno Trindade, Carlos Costa, Isabel Filipe, Teresa Peral e Nelson Rebola, promovida pela APDASC - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sociocultural) e inserida no Programa do XXI Congresso Internacional de Animação Sociocultural "Cooperação Desenvolvimento e Futuro " - Assembleia Internacional Juvenil 2015 - Millennium Checkpoint, que irá decorrer nos dias 20 e 21 de novembro de 2015, na Ericeira (Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva) - www.congressoapdasc.com.


O livro será lançado Sexta-feira, 20 de Novembro às 16:15 no Congresso e estarei presente com os meus colegas a falar sobre o mesmo e a partilhar as nossas experiências.

Evento facebook: https://www.facebook.com/events/448071615389140/


Nota:

Brevemente será disponibilizado o preço e a forma de aquisição do livro, sendo que, presencialmente (no Congresso), pode ser adquirido com desconto exclusivo. Para efetuar a pré-reserva do livro, pf. enviem um email para congressoapdasc2015@gmail.com, indicando o título do livro, o nome completo, morada, número de identificação fiscal e telemóvel. 


Grata por poder dar o meu contributo!

Acredito que será uma ferramenta muito útil resultante do trabalho de vários animadores que conhecem de perto as fragilidades deste grupo etário - os séniores.


Tenham um excelente domingo ( e apareçam!).

Teresa

Sunday, 1 November 2015

Anatomia de um domingo (grey) e uma questão de foco...

Queridos amigos e leitores,

Bom domingo.
Esta manhã começo o dia dando um ternurento BEIJO de PARABÉNS à minha Avó pelos seus 90 anos.
Em seguida levo os meus pés a deslizar pelo relvado da pitoresca Gulbenkian, onde páro para tomar um café na esplanada da Cafetaria do Museu Gulbenkian e ler umas linhas sobre "direção - o propósito como alicerce de produtividade"...um capítulo do novo livro de Gonçalo Gil Mata - [Ainda não tive tempo - 7 passos para ser mais produtivo com menos disciplina].  Ora leiam este trecho da introdução:

Imagine-se na correria matinal de uma qualquer segunda-feira de trabalho. Acaba de entrar no seu carro, arranca, e logo a seguir constata que algo na caixa de velocidades não está bem: só entra a primeira! Já a ficar atrasado, decide tentar chegar ao emprego assim mesmo: só com a primeira velocidade engrenada. Consegue imaginar a viagem sem poder usar outras mudanças? (Mata, p.11, 2015)



Andamos sempre a correr com a (falsa) sensação de que fazer muitas coisas é sinónimo de produtividade (a nível pessoal, profissional, etc..) mas paremos para pensar se somos assim tão produtivos ou vivemos continuamente a desperdiçar recursos como a ATENÇÃO?

Eu decidi começar a orientar a minha atenção e foco para aquilo que me é essencial e por isso vou treinando essa competência quase espontanea e naturalmente.
Este livro também me ajuda. Estou a gostar e recomendo!


Voltando à esplanada da cafetaria e ao momento em que contemplo o meu (momento) café da manhã...




....Ao meu redor imperam conversas triviais em língua inglesa...por momentos teletransporto-me para um qualquer país do centro da Europa e desfruto de uma esplanada em que a chuva e o frio não são desculpa para não ESTAR e não CONTEMPLAR.

Olho os pombos que se abeiram  à mesa da esplanada aguardando o mais leve descuido dos presentes para bicarem uma migalha de um "queque", Duchesse ou "bolo de arroz".
Escuto a água da chuva e do lago, os passos dos clientes no soalho em teca que vão chegando à esplanada e continuo a leituras.

Levanto-me, finalmente, e dirijo-me ao átrio do Museu. Este cheiro, no interior do Museu lembra-me o mesmo cheiro das salas e corredores da Faculdade de Letras da Universidade de  Lisboa (FLUL). Local que conheço bem desde pequena por acompanhar a minha avó (bibliotecária na FLUL) durante parte das minhas férias escolares.

Que despertar de sensações do passado! Que maravilha!

Saio do Museu e embrenho-me no jardim da Gulbenkian. Observo os patos, os peixes, os lagos, as gotas de água da chuva e as flores que ganham um tom vivo de outono. O perfume da vegetação molhada torna-se na essência que faltava para que leve esta "moldura" de sentidos comigo.

Termino a minha manhã (meditativa) repleta de sensações positivas.






E porque me sinto revigorada com a minha manhã?
Porque:

1. Estive com a avó, um pilar na minha Vida;
2. Estimulei quase todos os meus sentidos neste meu percurso matinal;
3. Observei e notei aspetos que noutro tempo me passariam despercebidos.

Com toda esta minha partilha relembro-vos um aspeto importante - a ATENÇÃO - "um instrumento mental pouco notado e subestimado", segundo Daniel Goleman, o expert em Inteligência Emocional.

Além do benefício que sinto no imediato (sensações positivas) de cada vez que me permito contemplar, apercebo-me e constato que "o foco interno harmoniza-nos com as nossas intuições, valores orientadores e melhores decisões" e que "o foco nos outros facilita as nossas ligações com as pessoas nas nossas vidas." (Goleman, p.10, 2013).


Sugestão para vocês:

Encontrem um dia, ou momento no vosso dia para caminhar 15 minutos e observarem o que vos rodeia. Pode ser no contexto de uma cidade ou num meio mais calmo. É o que vos fizer sentido.
Experimentem fazer isto 2 dias por semana, depois vão aumentando o nº de dias e vejam a diferença no vosso foco.

Integrem este hábito na vossa vida. Mesmo no Metro, em esplanadas, etc.....notem o que vos rodeia. Expandam a vossa intuição e exercitem o vosso músculo da ATENÇÃO e irão aperceber-se de que perder as chaves, o telemóvel ou o guarda-chuva serão problemas do passado.


Tenham um domingo repleto de ATENÇÃO e FOCO e um sonzinho final de tarde



Teresa