Dia 28 de março de 2014 chego ao
Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro (Luanda) pelas 7h da manhã. O meu estado
físico concedeu-me o privilégio de passar à frente de uma centena de pessoas
que se encontravam a fazer o check in.
Tive direito a uma cadeira de rodas mas não me livrei de esperar uma hora na porta
de embarque. Eu e outro senhor que se encontrava, também ele, em cadeira de
rodas fomos os últimos a entrar no avião através de uma ponte telescópica
(manga de acesso ao avião em pista).
Aterro em Lisboa pelas 17h30 após 7h30
de voo (Luanda-Lisboa) de pé “entalado” (entenda-se: com tala de gesso). Depois
de todos os passageiros desembarcarem, uma hospedeira e um comissário de bordo
vem ao meu encontro e trazem-me uma cadeira especial. Um assistente do
Aeroporto de Lisboa transporta-me para fora do avião e leva-me ao longo de
largos corredores. Fomos a falar, descontraidamente, e inclusive disse-lhe que
esta estratégia do “pé de gesso” era porreira para se passar à frente de tudo e
de todos (risos). Contou-me então que, eu não imaginava a quantidade de pessoas
que se faziam passar por inválidas para terem direito ao serviço especial de
assistência do Aeroporto de Lisboa. Fiquei a saber que todos os passageiros têm
direito ao serviço de assistência em caso de mobilidade reduzida: MY Way
Após levantar as minhas malas avisto a
minha família nas “Chegadas”. Fiquei muito feliz por vê-los. Entro no carro, de
perna em riste, e em plena hora de
ponta dirigimo-nos do Aeroporto para o Hospital Público X (prefiro não
mencionar o nome por uma questão de proteção de identidade do próprio serviço).
Raining cats and dogs, e eu que vinha
de um espetacular calor tropical umas horas antes e encontro, agora, uma Lisboa
cinzenta.
Dou entrada nas urgências do hospital
pelas 19h e aguardo pela chamada, mais uma vez, em cadeira de rodas e quando
sou conduzida pelo marido para a sala de espera, este passa com o meu “pé de
gesso” a escassos milímetros de um pin que servia de suporte a uma cinta
orientadora de filas (tecnicamente conhecido como pedestal organizador de
filas), fazendo-lhe uma razia.
Bem sei que ninguém tem a carta de condução obrigatória de cadeiras de rodas mas nesse momento, pensei - após ter sido conduzida nas últimas 48h em cadeira de rodas por diferentes pessoas entre Luanda e Lisboa, é agora que tenho um acidente nesta nobre viatura provocado pelos meus próprios familiares (risos). Sim, porque depois foi a vez de a minha mãe me conduzir por uma rampa fazendo os meus maxilares saltitarem (tal como nos filmes cómicos evocando a lei de Murphy).
Bom, depois de toda esta adrenalina lá
sou chamada e seguem-se a consulta, Rx, análises. Mais uma vez, o diagnóstico
confirmava a necessidade de uma operação ao pé, contudo, a existência de umas
flictenas (bolhas) causadas pelo excesso de horas de avião com a perna para
baixo impuseram que ficasse internada para ser intervencionada muito em breve. Assim
foi. Finalmente, às 1h da manhã dou entrada no quarto de internamento, no serviço de Ortopedia.
Seguiram-se 15 dias consecutivos de
internamento sobre os quais falarei em próximos posts pois a sociologia do quotidiano de uma unidade de Ortopedia
num Hospital público é digna de partilha!
Prova superada para mim: Foi a
primeira vez que fiz um voo internacional de longo curso, sozinha e ainda por
cima, em modo “pé de gesso”! A partir daqui tudo são peanuts.
Um forte abraço,
Teresa
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